sexta-feira, dezembro 30, 2005

Minha amiga Manoela e suas aventuras

Nesses poucos meses de Chile já conheci várias pessoas interessantes. Uma delas é minha amiga Manoela, que se casou com um chileno e vive aqui há muitos anos. Desde que veio para cá, Manoela viu aflorar seu nacionalismo em todos os sentidos: usa as cores do Brasil, sofre com os problemas do país, assiste a TV Globo e, claro, faz sempre comida brasileira em casa.
Hoje eu estava falando para a Manoela da participação da Frida na TV, quando ela me contou que uma vez foi convidada pelo mesmo canal a mostrar como fazer uma moqueca. O programa era patrocinado por uma empresa de óleo de arroz, girassol, canola, entre outros, mas não fazia azeite de oliva. Ninguém falou nada para a Manoela antes de sua "aula", e lá foi ela, com seu sotaque nordestino, explicar como fazer a moqueca.
"Você coloca o azeite de oliva, frita a cebola..." dizia a Manu, enquanto a apresentadora perguntava:
"De que marca deve ser o óleo, Manoela?"
"Não é óleo, não senhora. Tem que ser azeite de oliva!" Contestava Manoela.
"Mas devemos usar o óleo X, não é mesmo?" Insistia a mulher.
"Tem que ser um bom azeite de oliva. Qualquer um que seja bom." A conterrânea respondia, sem entender a insistência da chilena.
"Mas, e o óleo X?"
"Depois você coloca o dendê, mas para fritar a cebola tem que ser um bom azeite de oliva".
Ao fim do programa a Manu soube do patrocínio e quase morreu de vergonha.
"Estavam tentando se meter na minha receita e ninguém me disse nada!" Disse ela ao fim de tudo.
Alguém deve ter ganhado uma bela bronca naquela dia!

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